O dilúvio — André Augusto Custódio

Em meio às tenebrosas trovoadas
que do céu cintilante o divinal
rancor soava pelo temporal,
choravam as pessoas, consternadas.

Choravam, pelas chuvas castigadas,
observando o aguaceiro infernal
e insensível fazer em lamaçal
vidas a muito custo construídas.

Que fizeram de tão mal esta gente?
Por que foram abandonadas pela
divina mercê e postas para a morte?

Se da antiga promessa já descrente,
que pode tão inútil homem pela
sua vida contra este mal tão forte?

André Augusto Custódio, 24/02/2013

Heráclito vs Parmênides — André Augusto Custódio

Quão estranha é a nossa condição!
A vida, que é um perpétuo devir,
tem por constante só a morte porvir
que a todos impõe igual situação.
Nosso tempo, à mercê da Fortuna,
só nos põe em estado acidental.
Mas Deus nos julgará, de sua tribuna,
porém, pelo que nos é essencial.

André Augusto Custódio, 15/10/2011

As pequenas belezas — André Augusto Custódio

Nas coisas mais pequeninas, repare.
Dê-se o trabalho de observar.
revelar-te-ão tesouros, compare
estes com o mal que nos faz chorar

Engendra tão bela teia a aranha,
que homem algum pode copiar.
E até quando a flor parece estranha,
sempre ficamo-nos a contemplar

Mas nada supera em formosura
a tua. Oh! Minha amada senhora,
tão pequenina e tão delicada.

Tu és dos males todos minha cura,
que quando distante não vejo a hora
de fazer-te a noite passar acordada

André Augusto Custódio, 25/07/2011