Valentina — Michel Nascimento

Cheirava o cabelo de Valentina.
— Transfiguro-me em rosa de tantos outros perfumes
E viro teu perfume, Valentina.
Fecho os olhos e voo sobre tuas pernas, Valentina,
Deixa-me ser teu cabelo e tampar-lhe os seios amorosos.

Experimentava os lábios de Valentina.
— Roubo-te teu doce amargo sabor e
Faço-te meu gosto preferido
E assim te janto todas as minhas noites a sós.

Esfaqueava o peito de Valentina.
— Arranco-lhe o coração e guardo no meu relicário
Chamado amor e
Dou-lhe meu sabor.
Canto-te meu coração.

— Eu sou a Valentina que não existe na alma de um amante.

 

Michel Nascimento, 03/04/2013

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Atordoado — Michel Nascimento

Ajude-me,

Toda sanidade está dentro de uma caixa vazia

Enquanto minha mente flutua por toda irrigação livre

Onde a insanidade corre banhando a todos

Com seu egoísmo morbido que

Fede a carne podre,

Por todas ideias disseminadas serem perdidas ao vento

Como se fossem brumas tão leves

Incapazes de plantar qualquer flor

Em qualquer coração partido, perdido, esperando por um milagre no deserto,

Sonhando com todas as noites em que sonhava

Que no lugar de lágrimas escorriam gotas de amor por todo o mundo,

E o respeito transbordava nas pessoas,

Até que então o primeiro homem roubou um coração e

A morte era de amor e a vida era vivida

Como um sabor único de uma fruta mordida.

No relicario se guardava toda esperança

De um mundo que jamais viria a existir,

Até que um amor e outro nos roubou a alma

Deixando-nos desfalecer no fogo da paixão.

Michel Nascimento