Aglutinação Sinestésica — Fred Negrini

Aglutinação Sinestésica

Que estranha sensação é esta que me consome? Fito
Os teus que fitam os meus olhos fulgurantes e
Lobrigo teus lábios e teu rosto e tua roupa extravagante e
Teu sorriso apaixonantemente sensual!

Apreendido na hiperestesia do mistério sinestésico
Universal, vislumbro teu perfume primaveril, ouço
As batucadas de tua pele sensível, sinto as cores da
Tua voz ludibriantemente lasciva e por justaposição
Destas sensações, saboreio as enegrecidas e

Perfumadas cinzas do teu coração incendiado!

Bom, o que é amor? — Ivan Colonhesi

Bom, o que é amor?
Amor é uma palavra sem definição exata! Descreve um sentimento, coisa abstrata!
O que é amor?
Amor é substantivo, é sujeito, predicado, objeto direto e indireto!
Diríamos o que então?
“- Amor é fogo que arde sem se ver…
…é um contentamento descontente”
Tão confuso, sem explicação!
A verdade é que ninguém sabe o que é amor!
Os que pensam que não sabem, realmente não sabem,
os que pensam que sabem, muito menos sabem!
Amor tem um significado, um sentido, uma imagem para cada pessoa.
Amor pode ser sua namorada, esposa,
seus pais, seu animal de estimação, a professora da terceira série.
Pra mim, amor é um parque verde, com árvores, e bancos onde pessoas podem se sentar,
E conversar por muitas horas em uma tarde qualquer!
O que é amor?
Bom, a única forma de definirmos amor com exatidão, é dizendo que:
Amor é Amor!

Elegia ao passado — Otto Spark

Dores, amores…
Relação tão próxima,
Como o preto às cores…
Sem mínima, sem máxima;
Eu alforrio pudores.

Demonstro agora, sem medo,
Sabendo que já não é mais cedo,
Sentimentos, presos a tanto tempo…
Agora voando pelo vento.
Soltos, como folhas, num outono distante…
Que agora se aproxima, chegará num instante!

Por isso encarnei, desatei a falar:
Falei que senti, falei que amei…
Falei que assenti, discordei e errei.
Falei que parti, falei que me joguei…
Falei que sorri no dia em que cheguei.

De nada adiantou, só me fez desabar.
Só me fez ter ódio, mergulhar no pesar.
Lembrei de cada instante que passei com o amor.
E que ele se foda, agora, junto com todo o pudor.

Otto Spark

O dilúvio — André Augusto Custódio

Em meio às tenebrosas trovoadas
que do céu cintilante o divinal
rancor soava pelo temporal,
choravam as pessoas, consternadas.

Choravam, pelas chuvas castigadas,
observando o aguaceiro infernal
e insensível fazer em lamaçal
vidas a muito custo construídas.

Que fizeram de tão mal esta gente?
Por que foram abandonadas pela
divina mercê e postas para a morte?

Se da antiga promessa já descrente,
que pode tão inútil homem pela
sua vida contra este mal tão forte?

André Augusto Custódio, 24/02/2013

Heráclito vs Parmênides — André Augusto Custódio

Quão estranha é a nossa condição!
A vida, que é um perpétuo devir,
tem por constante só a morte porvir
que a todos impõe igual situação.
Nosso tempo, à mercê da Fortuna,
só nos põe em estado acidental.
Mas Deus nos julgará, de sua tribuna,
porém, pelo que nos é essencial.

André Augusto Custódio, 15/10/2011

As pequenas belezas — André Augusto Custódio

Nas coisas mais pequeninas, repare.
Dê-se o trabalho de observar.
revelar-te-ão tesouros, compare
estes com o mal que nos faz chorar

Engendra tão bela teia a aranha,
que homem algum pode copiar.
E até quando a flor parece estranha,
sempre ficamo-nos a contemplar

Mas nada supera em formosura
a tua. Oh! Minha amada senhora,
tão pequenina e tão delicada.

Tu és dos males todos minha cura,
que quando distante não vejo a hora
de fazer-te a noite passar acordada

André Augusto Custódio, 25/07/2011